quarta-feira, 21 de maio de 2014

Frente

Tenho medo
Aprendi a fugir
Aprendi a não me arrepender
Aprendi a falar
e principalmente: Aprendi a não ter
Alguns pedaços aqui, outros lá
Quando há medo há muito de mim
Quando há coragem há mais ainda
Sou do tipo que se joga
e quase sempre cai de cabeça
parto-me em mil corações
Sou do tipo que corre
e quase sempre sabe que nem mesmo razão
nem empurrões
nem joelhos dobrados hão de mudar
Espero, por vezes calada o dia dar tchau
Espero, por vezes
nem sei o que espero
Tudo começou sem nem mesmo terminar
Tudo começa
Tudo termina
Quem segurou nas mãos um pouco de si?
Quem?

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Despertador


Ao encostar a cabeça sobre o travesseiro
e ao deixar meu braços leves
Ao esticar minhas pernas em tua direção
e ao deixar a noite ir sem pressa
Quem sabe estamos em algum tipo de começo
Quem sabe estamos em alguma espécie de fim
Numa lista de atrasos eu escrevi onde não quero chegar
e num trago de um cigarro suguei minha própria destruição
Ao desprender alguns pedaços de papéis da parede
e ao planejar tudo outra vez
Ao conseguir me desatar aos poucos
e ao decorrer dos dias frágeis que me sustentam
Eu tenho conseguido me levantar cedo sem lamentar
e tenho segurado o peso dos meus lençóis