sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Vagando

Aquela vaga poesia minha 
que se esconde por trás da dificuldade que é sonhar e te ver longe
que se devora de ignorância e melancolia ao ver os olhos teus 
de um um olhar  firme 
que me tira toda a concentração e apaga minha raiva 
me desconcerta e me culpa
Aquela vaga poesia minha 
que se desmancha em choro e dança dentro de mim com a sincronia  da minha insegurança atormentando meu doce amar
Aquela vaga poesia minha 
que se encanta pelas tuas
que cai ao chão nua
que perde a razão
que não se situa 
Aquela vaga poesia minha 
que apesar do tempo que passou 
ainda espera a chance de te cobrir e 
que sabe que só assim correrá da terra para lua 
passando de rua em rua
Voltando ao tempo que passou e amando sem medo do que voou.

sábado, 12 de outubro de 2013

Chuva fina na Augusta

O travo na garganta ferindo teu choro fino e devagar.
Teu cansaço refletido no vidro da janela que sente o toque de cada pingo de chuva caído do céu nublado.
O belo se tornando lembrança, teu rosto transparecendo a solidão.Enfim, teu coração desarmado pedindo as flores da primavera, o seu íntimo escorrido de serenidade revestida de paixão.
Perdida em seu próprio casulo,crescendo em si a fina angústia de que nada se acontece sem que querer, nem por acaso, nem acaso, ou descaso, procurando nos teus devaneios a saída de uma tarde morna.

Porre

Eu não vim pra dizer que sim, nem que não.
Nem que sei, nem que não sei.
Eu vim pra falar tudo e pra falar nada, para trocar e destrocar as palavras chapadas que me atrevo soltar.
Pois o porre que tomei hoje me toma quente e amargo remoendo e lavando meu peito injuriado.
A cachaça nada faz esquecer, mas aquece e revitaliza minha sina, minha vontade de falar e ver, pois a sensação de cada gole que desce garganta abaixo não se atreve a me derrubar, nem me abala a sanidade de você, mas me chora esgotando  o ressentimento de um coração bobo que procura motivos para seus atos.

sábado, 5 de outubro de 2013

Café ao leite

O café derramado na pia, o tédio na madrugada quieta e silenciosa, meu sorriso se esconde e logo se mostra entrando nas lembranças saborosas como se fosse a última vez de tudo.Meu eu é de se pensar, minha contradição se mostra pelos estímulos de tuas indas e vindas.
Não há tempo ruim, tempo corrido, tempo parado, o vento trouxe e secou a exaustão de se privar, os olhos decifraram os caminhos percorridos pelo coração sapateando, gritando juras em forma de poesias.
As palavras dançaram soltas no ar jogando confetes de cortesia para quem se permitiu mostrar as perdidas canções de quarto.
A tempestade deitou-se em pranto e foi embora de repente dando espaço aos  exatos riscos da realidade confortada em meu corpo revestido de certezas de que é de passar a hora perdida.

Da cidade

Até as luzes se apagarem, a noite dormir, a manhã de amanhã acordar e despertar aquele sorriso solar, até a chegada em cena da rotina fadigada fazendo se mover em meu redor a solidão vasta que agora corre em plena terra batida, sob os cantos doces, sob o céu rodando e nuvens seguindo minhas pedaladas tomadas de expectativas de chegar ao ponto, que se torne verdade a leveza de ser, de sentir, que possa ser bossa a nova que vem e vai, que canta e espanta o torvo, até as luzes ao fim do dia se acenderem.

ai lá

Vem bailar comigo, meu bem, girar e girar sem medo.
Vem invadir meu espaço particular, se enrolar em meus braços, vem me cobrir de abraços.
Vem bailar comigo, meu bem, espalhar a ternura pelo salão, ventar amor, sorrir paixão.
Vem cantar comigo, meu bem, nadar no encanto que é a minha, a tua, a nossa insana imaginação.
Vem e vem logo, cale-me com teus beijos, cubra-me com  teu corpo, lance aqui e lá teu jeito doce.
Vem bailar comigo, meu amor, me tira essa sede, me tira esse choro, me dê sua mão.
Vem bailar comigo, meu amor, vem que eu carrego comigo tua flor e ouço de longe nossa canção

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

6

Por fora, a pele fria, pelos arrepiados, mãos tremulas, pernas prontas para fugir em passos largos e ligeiros, respiração forte, olhos úmidos e cansados procurando os teus para mirar.
Por dentro, um grito rasgando as paredes do meu corpo, o sangue quente correndo em desespero pelas veias, batidas dolorosas, o eu sem direção, a audição oscilando o não dito por ti, o coração rejeitando sua função, a mente tentando entender, tentando trazer a razão.
Os sentidos devorando a alma, o ser, a carne fria revestida de querer, desejo, impaciência, cravada  a pureza da emoção que me cerca,o sentimento óbvio e totalmente transparente que liberta e prende em um único tom.
Enfim, o medo, o desconsolo.