segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Terapia

No vão, algo latejando
No vasto, algo se esquivando
No vácuo, algo falando
No meio, algo deitando
Esqueci onde parei
Há algo molhando minha carne
Tenho medo do frio
Tenho medo da grandeza
Tenho medo de ter coragem
No vão, algo se escondendo
No vasto, algo correndo
No vácuo, algo nascendo
No meio, algo corroendo
Esqueci onde cansei
Há algo molhando minha carne
Tenho medo do frio
Tenho medo da grandeza
Tenho um sentimento covarde



domingo, 5 de janeiro de 2014

Esquina, às 20:00

Por trás dos óculos com lentes sujas eu consigo ver bem melhor, o que se foi não foi em vão.
No vácuo que aqui foi deixado há um tempo, nada me sugou tanto assim, entreguei-me aos cantos e encantos desta solidão.
Agora quem já não volta sou eu, desfiz os laços pelo qual achava que havia segurança. 
E ando me distraindo à cada esquina.
Há um pedido feito, agora sim sendo atendido. 
As pontas dos dedos dos pés guardam um longo caminho, eu não quero mais deitar.
De longe vejo meu abrigo vazio, sem braços, sem mãos, sem vida.
E não há quem diga que isso é ruim, a coragem tem gosto bom.
Há novos passos feitos, riscando o chão com o giz dos meus desejos.
Aceito o que me vem, e que me venha sem promessas, mas sim com verdades.
Até a última parada, até a última gargalhada mergulhada em meus suspiros.
E não há quem diga que isso é ruim, um coração livre tem gosto doce.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Gavetas

Fiz a distância entre nossos pés
Recolhi todos os riscos daquela parede
Quando não mais me cabe aí, eu volto procurando espaço em teu armário
Volto para te ver rindo como todas as tardes perdidas
Mas vejo-te escondendo as lágrimas
Fiz a distância entre nossos pés para te livrar de mim
Para que teu corpo aprenda a voar em outros céus
Apesar de querer ficar, não há mais espaço para minhas pernas
Me faltou coragem, me faltou verdade, me sobrou medo
Ainda é tempo de me dizer adeus, eu vou atravessando ruas vagas
Lembrando da confusão que se ausentou de mim, o quanto decifrei teus olhos e  as miragens
Ainda é tempo de mergulhar e ficar muda por aqui
Varrer os embrulhos para fora, explodir minhas ideias
Não há quem possa com tudo, não há quem esteja bem como teus dedos
Não vou mais 
Não venho mais
Te deixarei com o vento que te sopra para longe
Longe melhor que eu, longe melhor que minhas explicações para as decepções
Longe dos meu erros, longe para você correr entre teus discos