O que sobrou de mim foi a falta
a falta do olhar
a falta do tocar
a falta do lembrar
a falta do amar
O que sobrou de mim foi o vazio
o vazio dos dias ensolarados
o vazio dos dias nublados
o vazio do coração atordoado
O que sobrou de mim foram as indecisões
Indecisões de mim
Indecisões de ti
Indecisões do ir e vir
O que soprou em mim foi a liberdade
a liberdade da sala de estar
a liberdade do quarto de amar
a liberdade das mãos para agarrar
O que sobrou em mim se foi
Se foi a fraqueza
a escuridão
o medo
a solidão
O que soprou em mim foi a cura
a cura do coração
o antídoto para solução
a luz para a escuridão
os pés para correr
e o sentimento para fazer canção
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Passou
Hoje quem fala já não sou eu
Hoje o que se move não é por meu esforço
Eu ainda me perco em todos os rodeios de minhas palavras
Eu ainda molho cada folha escrita
Hoje quem já não volta sou eu
Mesmo que o que se grita aqui dentro seja o contrário
O que se cumpriu foi bom
Mas aceitei sem querer
Hoje quem já não quer sentir sou eu
O que transparece em minhas contradições
O ir que quer voltar
O contentamento em te ver feliz
A tristeza em não te ver aqui
Hoje o que digo não muda nada
Nunca mudou
Nem há de mudar
Hoje eu já não sei o que escrevo
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
A gota
Mal diz este gozo a cada miragem tua
Mal diz esta farpa que atravessa os sentidos
Me fiz de pedra, me fiz de rosas
Me fiz do que se desfez
Mal diz minhas poesias cobertas de memórias
O tal sabor de sangue
O tal cheiro da tua nuca
Mal diz estas palavras sem sentido
Os passos que tenho revido
Mal diz este espinho que perfura
Os dias que nem o tempo atura
Padece minha alma lavada de suor ateu
Alto de desventuras e do que se escondeu
A gota doce de tortura
A clareza perdida no breu
sábado, 7 de dezembro de 2013
Vermelho
Meu erro vermelho
Meu sangue, vermelho
Meu drama
Meu morto
morto morto
Meu mar
As rosas
Meu céu
Meu drama
Minha carne fresca
O mistério
e aquela escrita na parede
O livro sobre a mesa
O líquido que escorre entre meus dedos
Ah, meus dedos
O berro
A dor
Teu, flor
O atrevimento pendurado na maçaneta
e o convite de traição
Porenquanto
Enquanto eu não conseguir me desprender dos teus nós
Enquanto eu não conseguir sair do lugar
Enquanto eu não lembrar que o tempo está correndo
Enquanto as palavras secas não forem carregadas pelo vento
as pedras rolarem sem peso
e as gotas não pararem de cair e inundar este quarto
Enquanto as estradas permanecerem longas de propósito
Enquanto eu não souber onde pararam todas aquelas folhas
e onde os dentes quentes se esconderam
e os verbos delicados se perderam
Enquanto eu não conseguir tirar este lençol de cima de mim
e todos os aromas que entram pelas janelas abertas se despedirem
e os meus pés criarem forças para correr sobre a areia quente
Enquanto as paredes permanecerem de pé e estreitas
Enquanto não houver
Enquanto eu não souber o que o enquanto me trouxe
e quando ele irá embora
Enquanto o enquanto permanecer aqui
Enquanto o enquanto não se despedir, eu não poderei decidir
Enquanto eu não conseguir sair do lugar
Enquanto eu não lembrar que o tempo está correndo
Enquanto as palavras secas não forem carregadas pelo vento
as pedras rolarem sem peso
e as gotas não pararem de cair e inundar este quarto
Enquanto as estradas permanecerem longas de propósito
Enquanto eu não souber onde pararam todas aquelas folhas
e onde os dentes quentes se esconderam
e os verbos delicados se perderam
Enquanto eu não conseguir tirar este lençol de cima de mim
e todos os aromas que entram pelas janelas abertas se despedirem
e os meus pés criarem forças para correr sobre a areia quente
Enquanto as paredes permanecerem de pé e estreitas
Enquanto não houver
Enquanto eu não souber o que o enquanto me trouxe
e quando ele irá embora
Enquanto o enquanto permanecer aqui
Enquanto o enquanto não se despedir, eu não poderei decidir
domingo, 1 de dezembro de 2013
Depressa
A pressa
A pressa
A pressa
nunca me dei bem com a tal
Mas sempre carreguei-a comigo
Fechei a porta
As janelas
Apaguei todas as luzes
e me calei
como quem cala sem motivos
E quem disse que há motivos para se calar?
Eu nunca tive motivo algum
Meu coração nunca foi motivo
E motivo nunca foi motivo pra se motivar
Meu coração não sabe
Não sabe nada
Só cala
Anda por aí tentando regar o acaso
Chora
Grita
ama sem fim
A pressa
apressa
atrapalha
e cala
Por isso, deixei-a
e fiquei por aqui
calada com o fim
A pressa
A pressa
nunca me dei bem com a tal
Mas sempre carreguei-a comigo
Fechei a porta
As janelas
Apaguei todas as luzes
e me calei
como quem cala sem motivos
E quem disse que há motivos para se calar?
Eu nunca tive motivo algum
Meu coração nunca foi motivo
E motivo nunca foi motivo pra se motivar
Meu coração não sabe
Não sabe nada
Só cala
Anda por aí tentando regar o acaso
Chora
Grita
ama sem fim
A pressa
apressa
atrapalha
e cala
Por isso, deixei-a
e fiquei por aqui
calada com o fim
Assinar:
Postagens (Atom)