quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sempre tenho o que quero rastejando entre linhas tortas
De vez em quando percebo que não vale a pena
Sempre espero a noite cair
ver no que vai dar
E aí marco os dedos em outro lugar
De nada adianta se nossas palavras não forem verdade
Eu escondo as que posso e jorro as que consigo
Sinto-me caindo
aos poucos mergulhando
aos poucos
me afogando
e no fundo não há nada além de mim
No fundo não há nada além de cinzas
pó
feito água
assim, os dois
numa indecisão 
numa linha torta e inacabada

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Cicatriz

Descobri por meio do medo a vontade de ficar
Descobri em meio as minhas vontades os motivos pra não andar
Fruí de tantas insistências cada verbo teu
e aplaudi em meios as inexistências cada pedacinho do breu
Talvez o que não vejo tenha me livrado
As palmas das minhas mãos fracas
As marcas no meu rosto suado
Meus ombros relaxados que esperam algo cair
e todo esse chuvisco frouxo que molha tudo por aqui
Todo o colapso
o caos deixado
a maré alta regando meus passos
É tudo solução
talvez sim
talvez não
E eu não tenho fleuma para adular nada
nem ninguém
nem eu mesma
Vivo, sim
Mas também sou planta morta
talvez do amanhã
ou de ontem mesmo
E talvez nem exista talvez
Mas descobri por meio do talvez a vontade de sangrar
Descobri em meio ao meu jeito enferrujado a vontade 
de não parar
Descobri que o que quero mesmo
eu nunca soube explicar
Mas que diante do que não quero
sempre soube discretamente  arquejar