Parede não, era um muro que ali havia
Não tinha teto, teu rosto bronzeava-se com a luz do sol
e lavava-se com a chuva que caía
Parede não, era um muro que ali havia
Teus pés sujavam-se com a terra do chão e teus joelhos também
quando por descuido você caía
Frutos das tuas corridas, alguns fios de cabelo foram perdidos
Fruto da tua paciência, voltaram-te as belezas ativas depois de tanto ter escondido
Parede não, era um muro que ali havia
Sustentava teus desesperos quando de noite tua voz sumia
Parede não, era um muro que ali havia
Permanecia de pé quando sobre muros e paredes você discutia
"Parede não, era um muro que ali havia"
Olhando tua insistência em falar "muro"
porque era assim
contestando o mundo
que tua graça aos olhos alheios se via
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